Preparando-se para os quebrantados

O apóstolo Paulo enfrentou um problema para o qual não tinha uma resposta clara, e isso vinha da localização da igreja que ele estabeleceu na cidade de Corinto. Ele permaneceu ali para plantar a igreja de Cristo no coração de uma sociedade gentílica. Primeiro, apresentou o evangelho ao templo judeu, depois levou a mensagem aos perdidos dentro da cidade — e que lugar era esse! A população diversa e dinâmica de Corinto a tornava um centro próspero de comércio e sucesso financeiro. Contudo, espiritualmente, seu centro era um templo dedicado à deusa Afrodite. Essa catedral pagã girava em torno de diversas formas de atividade sexual. Suas práticas de adoração borravam as linhas entre o sagrado e o profano, tornando o sexo casual e comercial não apenas aceitável, mas celebrado.
Atos sexuais, especialmente por meio da prostituição ritual, eram considerados atos de devoção à deusa do amor, beleza e fertilidade. A crença era que, ao agradá-la dessa forma, receberiam bênçãos sobre as colheitas, família ou negócios. De fato, o verbo grego “corintianizar” passou a significar “envolver-se em imoralidade”. As sacerdotisas do templo se prostituíam abertamente como sendo um ato de serviço religioso. Outra prática entre as adoradoras era raspar a cabeça como sinal visível de lealdade.
No meio dessa cultura, nasceu uma nova igreja, e Paulo começou a conduzir novos crentes no caminho do cristianismo e da santidade. Ele teve que ensiná-los do zero o que era a salvação e como vivê-la. À medida que a mensagem de salvação se espalhava, mais convertidos se juntavam à comunhão — muitos genuinamente buscando a Deus, mas ainda carregando os hábitos culturais do templo que acabavam de deixar. Após cerca de dezoito meses, Paulo seguiu para estabelecer outras obras, deixando a igreja sob a liderança de presbíteros locais.
Três a cinco anos depois, ele escreveu uma carta abordando várias preocupações e respondendo a perguntas específicas que haviam lhe enviado. Como está escrito em 1 Coríntios 7:1: “Quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher.” Esse versículo mostra que Paulo está agora respondendo às perguntas deles. É importante reconhecer que suas respostas eram direcionadas aos problemas únicos daquela igreja local. No entanto, muitos crentes tomaram essas respostas como doutrina universal, quando, na verdade, foram destinadas especificamente para aquele grupo. Paulo não tinha um mandamento direto da Palavra de Deus para esses assuntos, então se baseou na sabedoria ensinada pelo Espírito Santo.
Outro exemplo aparece nos versículos 25–26: “Quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; mas dou o meu parecer, como alguém que pela misericórdia do Senhor alcançou confiança. Portanto, penso que, por causa da angustiosa situação presente, é bom para o homem permanecer assim como está.” Novamente, é importante perceber que Paulo, como apóstolo, está formando uma resposta com base em sabedoria divina. Ele afirma claramente que, devido às lutas específicas deles, está aconselhando que os solteiros permaneçam assim — uma recomendação notável, especialmente por contrariar o mandamento geral de Deus para frutificar e multiplicar.
Paulo continua abordando questões complexas dentro da igreja, incluindo mulheres que, embora regeneradas, ainda carregavam comportamentos de sua formação no templo. Algumas se viam como dominadoras sobre seus maridos e até se vestiam como as sacerdotisas do templo pagão. Ele trata de outra preocupação em 1 Coríntios 11:2: “De fato, eu os elogio por se lembrarem de mim em tudo e por se apegarem às tradições, exatamente como eu as transmiti a vocês.” Aqui, ele usa a palavra “tradições”, indicando que essas eram práticas que ele estabeleceu para lidar com problemas específicos.
O versículo 3 declara: “Quero, porém, que saibam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus.” Alguns casamentos estavam se desestruturando, com maridos abrindo mão da autoridade e esposas assumindo o papel de liderança no lar. Esse desequilíbrio no lar também começava a afetar a igreja. A solução de Paulo foi introduzir um símbolo de submissão, para que as mulheres na congregação não fossem confundidas com as sacerdotisas de Afrodite. Ele as encorajou a deixarem o cabelo crescer ou usarem um véu sobre a cabeça.
Ele conclui essa questão no versículo 16: “Contudo, se alguém quiser discutir sobre esse assunto, saiba que nós não temos esse costume, nem as igrejas de Deus.” Em outras palavras, essa era uma tradição formada por sabedoria para eles, e não um mandamento direto de Deus. No mundo de hoje, os obstáculos à verdade são maiores do que eram há algumas décadas, com novos padrões sendo aceitos como norma.
Nós, como igreja, devemos nos preparar para uma onda avassaladora de pessoas quebradas e feridas vindo a Cristo. Esta última geração foi torcida e manipulada para acreditar em muitas mentiras sobre si mesma e sobre sua sexualidade. Eles são a nova colheita que emerge de uma teia de enganos, buscando respostas reais e o poder para se afastar do mundo. Muitos estarão quebrados de maneiras que a igreja nunca enfrentou — física e mentalmente. Por causa de seus enganos passados, alguns terão dificuldade em confiar na liderança, necessitando de amor extraordinário e paciência para aprenderem a confiar no que é realmente bom e verdadeiro. Outros podem tentar carregar aspectos de suas antigas identidades para dentro da caminhada cristã, e também precisarão de compaixão ao aprenderem a deixar o passado para trás.
Mais do que nunca, nossos pastores e líderes devem estar orando no Espírito Santo e buscando sabedoria divina. Precisaremos estabelecer novas tradições e costumes para enfrentar o nosso próprio conjunto único de desafios nesses últimos dias. Que colheita maravilhosa teremos!
Seu amigo,
Alan

Sobre o autor

Alan tem paixão por ensinar a igreja a ter proximidade e comunhão com Deus, e a se apaixonar por Jesus.
Os seus ensinos sobre o crescimento do homem espiritual, e o compromisso diário com a prática do evangelho, tem impactado a vida de muitas pessoas, que experimentam um verdadeiro encontro com Deus nos cultos em que o Alan ministra, onde há uma presença amorosa do Espírito Santo em uma atmosfera de paz.
Seu ministério acredita, firmemente, que o poder de Deus, através de cristãos espiritualmente equipados, pode propagar a presença transformadora de Deus, sendo a expressão exata do Seu poder, da Sua graça e do Seu amor.
Alan, em seu ministério, tem levado o evangelho de maneira clara e fiel a diversos locais nos EUA, Brasil e outros países.