Removendo a autopromoção de nossa vocação

Na minha juventude, eu sabia que tinha sido chamado para pregar, mas não tinha ideia de como entrar nisso. Isso aconteceu muito antes das mídias sociais, então eu não conseguia simplesmente construir seguidores gravando sozinho. Eu pedia conselhos a muitos ministros viajantes, e cada um compartilhava ideias de como construía o seu ministério. Um sugeriu que eu participasse de uma conferência de pastores e conhecesse diferentes líderes. Ele disse para pegar um cartão de visita e algumas fitas cassete de ensino e depois passá-las adiante. Outro me disse para abrir a lista telefônica, olhar todas as igrejas religiosas e contatá-las. E se alguém lhe permitisse pregar, você poderia perguntar ao pastor se ele poderia lhe fornecer os nomes e os números de outras igrejas para contato.

Então, um dia, fiz essa pergunta ao pastor Dave Roberson, que estava ministrando em nossa igreja, e ele riu baixinho da minha pergunta. Ele respondeu: “Alan, se os pastores não estão chamando você, então Deus não quer que você pregue.” Eu sabia que esse era um conselho divino; parecia puro, mesmo que parecesse mais rigoroso. O outro caminho sempre pareceu muito comercial e autopromocional.

Antigamente, se você quisesse obter uma grande audiência, você precisava levantar uma grande quantia de dinheiro, comprar uma câmera gigante e construir um estúdio para gravar e editar as mensagens. Então, você precisaria comprar um espaço de tempo de uma estação de TV para alcançar as comunidades. No mundo de hoje, tudo é bem diferente e muito mais avançado, e todo esse equipamento caro está empacotado dentro de um pequeno telefone que cabe no bolso de cada adolescente, ao redor da Terra. Qualquer um pode postar um vídeo, que alcançará bilhões de pessoas, de maneira extremamente rápida, sem nenhum custo.

O sistema de sucesso do mundo é movido pela competição e autopromoção, mas a igreja liderada por Cristo deve ser mantida em um padrão mais elevado. A mídia social em si não é má, quando se torna uma ferramenta que Deus tem prazer em usar para espalhar o Evangelho para todos os países. No entanto, vi uma geração inteira de jovens pregadores sucumbir à tentação de construir os seus ministérios por meio das mesmas ferramentas que o mundo usa. Autopromoção em nome de Deus ainda é autopromoção.

Cada um de nós tem um chamado de Deus, e a maioria das pessoas não são chamadas para pregar atrás de um púlpito. Seja qual for o seu chamado, sempre haverá uma tentação do seu homem exterior para se mover antes que Deus o liberte. Essa é a definição de autopromoção: a habilidade de fazer as coisas acontecerem para Deus. E é essa habilidade que Deus quer que morra em nós. O pastor Dave sempre dizia: “A auto exaltação é tão viciante quanto a cocaína.”

A prática de crescer, amadurecer e esperar o tempo de Deus é uma arte perdida entre muitos cristãos hoje. O inimigo mais desafiador que tive que enfrentar e matar, foi a capacidade de me promover no mundo da igreja. É tentador entrar em nossos chamados quando nos sentimos menosprezados pelos outros, e parece que Deus está demorando muito. No entanto, naquele lugar de esperar em Deus e morrer para si mesmo, motivos piedosos puros são forjados. Um grande ditado é: “É uma boa ideia ou uma ideia de Deus?”.

Paulo disse isso melhor ao falar sobre Jesus em Filipenses 2:7, “mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.” Depois que Jesus se esvazio foi que Deus o exaltou. É a mesma mentalidade que devemos ter: que se eu quero que Deus me exalte, não devo me exaltar ou promover. O caminho para cima no Reino de Deus é sempre para baixo; temos ministérios suficientes construídos pelo poder do homem; vamos nos aprofundar em Deus.

Paulo também menciona em Filipenses 2:19-21: Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também, tendo conhecimento da vossa situação. Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. Sinto que nossas igrejas modernas têm o mesmo problema.

Deixar de lado o seu poder de se promover em seu chamado é a coisa mais libertadora que uma pessoa pode fazer. O tempo gasto em oração e adoração é o caminho para o nosso chamado, ao invés de popularidade.

Abraão tinha um chamado para ser pai de muitas nações, mas não tinha filhos. Quando Deus estava demorando muito, a sua esposa e ele se apresentaram com seus planos para realizar a vontade de Deus. Em suas ações, Abraão provou que o seu corpo ainda funcionava, e eles criaram um filho, um Ismael, a quem Deus rejeitou. Não foi o diabo que trouxe Ismael; e sim, uma tentativa de Abraão de fazer o seu chamado se cumprir. Curiosamente, o Senhor não pediu por esse filho até que o corpo de Abraão não pudesse mais produzir filhos. Foi somente quando não havia mais nenhuma maneira possível para Abraão fazer isso acontecer, que Deus disse: é agora!

No seu caminho de oração, não se surpreenda quando o Senhor o levar a lugares onde a sua habilidade parece diminuir, e você se sente mais fraco. Ele está preparando você para que a Sua obra venha através de você pela fé, ao invés de suas obras em nome de Jesus.

Pode parecer assustador quando você abre mão do seu poder de fazer as coisas acontecerem, mas você é mais forte Nele quando é mais fraco em si mesmo. Seja corajoso e siga a Deus! Temos um mundo que precisa experimentar Deus, através de nós!

Seu amigo,

Alan

Sobre o autor

Alan tem paixão por ensinar a igreja a ter proximidade e comunhão com Deus, e a se apaixonar por Jesus.
Os seus ensinos sobre o crescimento do homem espiritual, e o compromisso diário com a prática do evangelho, tem impactado a vida de muitas pessoas, que experimentam um verdadeiro encontro com Deus nos cultos em que o Alan ministra, onde há uma presença amorosa do Espírito Santo em uma atmosfera de paz.
Seu ministério acredita, firmemente, que o poder de Deus, através de cristãos espiritualmente equipados, pode propagar a presença transformadora de Deus, sendo a expressão exata do Seu poder, da Sua graça e do Seu amor.
Alan, em seu ministério, tem levado o evangelho de maneira clara e fiel a diversos locais nos EUA, Brasil e outros países.